Brasil perde por 3 sets a 0 e fica com a prata na final do Vôlei feminino


A seleção brasileira feminina de vôlei protagonizou os últimos momentos da delegação brasileira nas Olimpíadas de 2020, já no meio da madrugada deste domingo (8), e saiu com a medalha de prata em Tóquio. Em nova final diante dos Estados Unidos, o Brasil pegou uma rival muito inspirada e perdeu por 3 sets a 0 (25-21, 25-20 e 25-14), fechando o resultado recorde do país nos Jogos com 21 medalhas no total, número jamais alcançado antes.

O vôlei brasileiro chegou a cinco medalhas no torneio olímpico feminino, somando a prata de Tóquio aos ouros de Pequim e Londres — ambos contra os EUA — e aos bronzes de Atlanta e Sidney. São ainda duas edições no quarto lugar, em Barcelona e Atenas.

No elenco atual, são três remanescentes do título de 2012: Fernanda Garay, 34, Natália, 32, e Tandara, 32. A última, porém, acabou se despedindo dos Jogos horas antes da semifinal por ter testado positivo no exame antidoping realizado há um mês, ainda na preparação. A substância encontrada foi a ostarina, e a atleta já retornou ao Brasil onde trabalha em sua defesa.

Aos 40 anos, Carol Gattaz, em sua primeira participação, se torna a brasileira mais velha a subir em um pódio olímpico. Outro feito é a quarta conquista do técnico José Roberto Guimarães. Ainda que treinadores não sejam reconhecidos oficialmente como medalhistas, o paulista de 67 anos carrega no currículo os ouros de 1992, com o masculino, 2008 e 2012, com o feminino, e agora essa prata também dirigindo as mulheres.

“A nossa preparação foi a melhor possível. A gente sabia da dificuldade, que elas dariam tudo. Estrategicamente elas conseguiram jogar melhor. Mas estou muito orgulhosa desse grupo. A gente não tinha dúvidas que a gente poderia fazer uma grande partida, mas elas foram melhores. Eu espero que a torcida brasileira tenha se orgulhado da gente”, disse Fê Garay depois do jogo, em entrevista ao canal Sportv, confirmando ter feito seu último jogo pela seleção.

Superioridade total dos EUA
Brasil e Estados Unidos decidiram os Jogos de 2008 e 2012. Em ambos, ouro para o Brasil. Para as americanas, era a chance de levar pela primeira vez o título no maior evento esportivo do mundo, vindo de duas conquistas contra as brasileiras pela Liga das Nações, em finais em 2019 e 2021. E elas não desperdiçaram, fazendo um jogo de total superioridade e sem dar chances às brasileiras.

No último ato do vôlei em Tóquio, os Estados Unidos começaram fazendo 4-0 e já obrigaram Zé Roberto a parar o jogo para um primeiro respiro. O Brasil melhorou, conseguiu encostar no placar vez ou outra, mas não conseguia empatar. Depois de um bom momento do time brasileiro, Larson fez seu sexto ponto no jogo para abrir 18-14. Um bloqueio de Carol diminuiu a distância, 22-19, e o Brasil ainda salvou as duas primeiras chances das rivais fecharem, mas a sobra era grande: 25-21 para as americanas.

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Fê Garay comemora ponto: na final, Brasil teve muita dificuldade no ataque
Foto: Manu Fernandez/AP
O Brasil finalmente ficou na frente do marcador no início do segundo set, quando fez 2-0 em bloqueio de Rosamaria, nova titular do time desde a ausência de Tandara nas semifinais. Mas a pressão do placar logo mudou de lado no erro de recepção de Garay, permitindo aos EUA virar para 5-4. Perdendo, Zé Roberto colocou Natália no lugar de Rosamaria, mas o ataque americano seguia funcionando muito mais, abrindo 10-7. Na largada de Drews, 12-8, e num erro de Garay, 15-9.

O Brasil ainda tentou um desafio para parar um pouco jogo, e no lance seguinte Natália foi bloqueada — ali os Estados Unidos abriam 18-9. Na reta final, Zé fez a troca de levantadoras, Macris por Roberta, o Brasil fez cinco pontos seguidos e diminuiu para quatro, 20-16. Ainda que a seleção estivesse em seu melhor momento, a margem dos EUA foi suficiente para abrir 2 sets a 0 em 25-20.

O terceiro set começou com o Brasil competindo melhor, mas as americanas seguiam mais eficientes. Em conversa no pedido de tempo, Zé Roberto pediu uma mudança de ânimo. De um 7-7, logo o Brasil se viu atrás de novo, e Akinradewo, no bloqueio, fez 11-7 para as adversárias.

O impressionante desempenho da defesa americana e uma jornada pouca inspirada do Brasil foram deixando o jogo totalmente favorável para os Estados Unidos. Logo, o placar já apontava 15-8. O lado de lá da quadra seguiu acertando muito, e a equipe brasileira, definitivamente vivendo uma final abaixo do que conseguiu apresentar em outros momentos no Japão, acabou derrotada por 25-14. Seleção americana, com ótima atuação, campeã olímpica de forma inédita com vitória por 3 sets a 0. Incontestável.

“É sempre muito ruim, você sempre vem pela vitória. Mas hoje os Estados Unidos jogaram mais que a gente. Nos últimas três finais contra eles, eles venceram. A gente lutou muito, poucas pessoas acreditavam nesse grupo e chegar aqui já é uma vitória”, comentou Natália.

Fonte: CNN Brasil