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Chica Xavier e Clementino Kelé: um casamento que só a morte foi capaz de separar

É que ela teve apenas um amor ao longo de sua existência: a atriz foi casada por mais 60 anos com o também ator Clementino Kelé.

Os dois se conheceram ainda na adolescência e eram próximos. Eles, que viviam em Salvador, se esbarravam pelas ruas da cidade. Só engataram um namoro em 1953 e três anos depois se casaram.

Já no Rio de Janeiro, frequentavam círculos da classe artística e foram conquistando espaço em meios dominados por atores e atrizes brancos. Em 25 de setembro de 1956, o casal se tornou um expoente ao fazer parte do grupo que estrelou a montagem de Orfeu da Conceição, no Teatro Municipal. Dirigida por Haroldo Costa, a peça é um marco, símbolo de um momento em que a cultura negra ocupava o palco de maior prestígio da cidade.

Aos poucos, era impossível falar de Chica sem falar de Kelé. Assim como era impossível pensar no ator sem lembrar da união potente que permitiu que os dois vencessem as amarras de um país racista. O amor e o apoio que encontraram na relação fermentou o talento raro que demonstravam em personagens múltiplos, em canais múltiplos e para públicos dos mais diversos tipos.

Nos anos 80, a atriz fundou seu próprio terreiro em Sepetiba, na Zona Oeste do Rio. Lá, recebia os amigos, familiares e interessados em conhecer mais sobre o candomblé. Fundou a Irmandade do Cercado do Boiadeiro, espaço de fé e acolhida essencial para as comunidades do entorno.

No início de julho, em uma entrevista rara, Kelé comemorou 64 anos da união com a amada.

“Eu sempre digo que não existe Kelé sem Chica. Eu cheguei aos meus 92 anos porque a maior parte da minha vida foi ao lado dela. Eu devo tudo a essa senhora”, declarou ao jornal O Globo. Ela retribuiu o amor. “Sempre disse que me perguntam meu nome, eu digo: “Sou Chica Xavier, mas mais do que isso, eu sou Chica de Kelé”’, afirmou.

O casal teve três filhos: Clementino Filho, Izabela e Christina e deixou um legado raro de sabedoria, amor e talento.

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