Cientistas dizem que piora da pandemia no Rio de Janeiro serve de alerta para todo o Brasil

Médicos fazem treinamento no hospital de campanha para tratamento de covid-19 do Complexo Esportivo do Ibirapuera.



O estado do Rio de Janeiro vive uma situação exclusiva desde o início da pandemia. Isto porque, mesmo com o otimismo da população com o avanço da vacinação e muitas cidades já tendo aplicado a primeira dose contra a Covid-19 em praticamente todos os adultos, há uma apreensão com a chegada e o rápido espalhamento da variante delta do coronavírus e, consequentemente, o crescimento do número de internações por infecções respiratórias, o que liga o sinal de alerta das autoridades e ameaça os planos de reabertura.

De acordo com reportagem publicada pelo G1, o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), Leonardo Bastos, avaliou a situação no estado. “Os dados mostram um aumento recente das hospitalizações entre os grupos mais velhos. Isso está acontecendo em outros lugares, mas, no Rio de Janeiro, a situação está pior“.

Segundo ele, “as últimas estatísticas sugerem que algo diferente está acontecendo no estado, mas ainda não sabemos exatamente o que é”, completa.

Ainda conforme a reportagem, a mudança de cenário acontece na prática, como ressalta o infectologista Alberto Chebabo, diretor médico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“Recentemente, houve um aumento na demanda por internação por Covid-19, especialmente entre idosos e profissionais da saúde. Isso era uma coisa que não víamos com essa frequência havia um bom tempo”, relata o especialista, que também é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, afirmam que não é possível destacar um único fator por trás do repique de casos e internações em território fluminense. No entanto, apontam a chegada da variante delta como principal fator.

“É preciso considerar a chegada da variante delta do coronavírus, o relaxamento da população e das medidas restritivas e até uma eventual perda de efetividade das vacinas com o passar do tempo. O coronavírus está se modificando constantemente para continuar circulando entre nós”, declarou o pesquisador Leo Bastos.
Bastos diz ainda que o Rio de Janeiro de hoje pode ser o Brasil de amanhã, pois a situação local deveria representar, sim, uma preocupação. “O Rio de Janeiro é um ponto de confluência e tem uma grande conexão com outras regiões brasileiras, especialmente com São Paulo. E sabemos que, quando a piora chega em São Paulo, ela se espalha mais facilmente para outros lugares”, conclui