Entre fevereiro e o começo de julho deste ano, a Polícia Federal no Pernambuco erradicou 312 toneladas de maconha em plantios clandestinos em áreas no sertão do estado. A quantidade da droga já é quase 10% maior na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a PF erradicou 288 toneladas.

Além dos plantios, a Polícia Federal também encontrou 1.325,8 quilos, mais de uma tonelada, da droga pronta.

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Na última operação, encerrada esta semana, os policiais descobriram mais de meio milhão de pés de maconha plantados em 179 roças distribuídas em terras da União. Em sua maior parte, a droga é irrigada com água do rio São Francisco. A maconha produzida no sertão pernambucano e parte do sertão da Bahia é traficada para todo o país por meio de ações das organizações criminosas.

De acordo com os dados da Polícia Federal, de fevereiro ao começo deste mês, já foram feitas três operações de combate ao tráfico de drogas na região, que é considerada a maior produtora de maconha do país. Ao todo, já foram encontradas 296 roças, que juntas somaram quase um milhão de pés da droga.

“As roças são quase sempre as mesmas, porque são terras improdutivas do governo federal ou locais difícil acesso”, disse a PF.

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Nordeste x Paraguai

A inteligência da Polícia Federal acompanha o ciclo de produção da droga no sertão durante os períodos que antecedem a colheita, e por isso fazem pelo menos quatro operações durante o ano. A PF diz que enquanto há um combate da produção da droga no sertão nordestino, há um aumento da entrada dela pela fronteira do país com o Paraguai.

“Novas ações são realizadas, coibindo assim a secagem e a consequente introdução no mercado consumidor de pontos de vendas de drogas. As constantes operações policiais de erradicação de maconha na região não têm dado tempo aos traficantes locais para produzirem a droga em seu pleno desenvolvimento. Isso tem aumentado a importação da droga advinda do Paraguai e de outros países vizinhos, já que o sertão de Pernambuco deixou de ser o principal fornecedor da droga”, destacou a Polícia Federal.

As organizações criminosas que financiam a produção de maconha no sertão recrutam moradores locais para trabalhar nas roças. Por conta da dificuldade de acessar as áreas plantadas, poucas pessoas são presas. Este ano, em todas as operações realizadas pela PF, apenas duas pessoas foram presas.

“O tráfico de drogas na região acaba atraindo para moradores locais vários problemas como assaltos, furtos, homicídios, assassinatos, acertos de contas, dentre outros crimes, pois geralmente essas ocorrências giram em torno desta atividade ilícita”, explica a PF