GENIPABU: Empresa começa a vender dromedários e reclama de baixo interesse de agências e bugues

Desde que foi implantado, em 1998, o atrativo enfrenta o pior período — Foto: Divulgação/Economyflat

Por Folha de SP — A próxima temporada de férias deve ser definitiva para uma das principais atrações turísticas do verão potiguar: o passeio em dromedários nas dunas da praia de Genipabu, no município de Extremoz (a 20 km de Natal).

Desde que foi implantado, em 1998, o atrativo enfrenta o pior período e neste ano, no mês de junho, chegou a suspender por 20 dias o serviço, como em uma espécie de greve, devido a “decadência do turismo na região”, explicava nota divulgada à época pela empresária Cleide Batista.

Mesmo antes de tomar uma decisão definitiva, a empresária iniciou a venda dos animais. A Dromedunas já teve 20 dromedários atuando diariamente nos passeios. Inicialmente, cinco foram vendidos (antes de 2018). E nos últimos meses, houve a venda de outros quatro animais.

“Vendemos dois esta semana para um hotel fazenda. Ainda nem entregamos os animais”, disse a empresária, sem querer dar detalhes da negociação.

No auge do turismo no estado, no início dos anos 2000, a empresa chegou a fazer 120 passeios por dia. No último verão (2018-2019), o máximo que conseguiu por dia foram 45 passeios. Atualmente, na baixa estação, a média diária é de 20 turistas atendidos.

“Meu custo diário é R$ 2.000. Com 20 passeios por dia, só pago as contas”, afirmou Cleide.

Hoje, o passeio de 20 minutos custa R$ 100 por pessoa. Há a opção de só tirar foto com o animal, sem ter o passeio, que fica R$ 50 por pessoa. Para tentar manter a atração, a empresa fez parceria com um site de descontos e oferece 15% de desconto.

A falta de parceria com bugueiros e agências que incluam o passeio nos roteiros comercializados é um dos problemas recorrentes nos últimos dois anos.

Isso se agravou neste ano, segundo a empresária, quando a CVC —principal agência que atua em Natal— decidiu mudar o local da parada dos bugues que transportam os turistas.

“Perdemos 70% do fluxo de turistas. Fizemos parcerias com empresas menores, mas não conseguimos equilibrar essa queda”.

Por email, a assessoria de imprensa da CVC nega que tenha tirado as Dunas de Genipabu do roteiro, mas não detalhou se houve mudanças quanto ao tempo e local da parada.

A empresa também aponta a falta de estrutura turística na área e que já solicitou “às autoridades locais mais atenção na infraestrutura ao turista”.

Para a agência, a área é “um dos principais cartões-postais” do litoral potiguar e, por isso, “mereceria ter uma permanência maior para contemplação dos turistas”.

A turista paulista Darciele Fernandes foi à duna de Genipabu especialmente para o passeio de dromedários. “Estava no meu roteiro. Quando contratei o passeio de bugue, já inclui essa parada. Queria muito ter essa foto de lembrança”. Ela estava acompanhada dos pais e outros membros da família, mas só ela fez o passeio nos animais.

O casal de investidores do Maranhão, Conceição Dutra e Elionei Menezes preferiu apenas tirar as fotos com o animal, sem fazer o passeio.

“A gente só queria registrar esse momento. Fica mais barato só fazer as fotos, já que o passeio não é tão demorado”. O casal fazia parte de uma excursão e, das 50 pessoas do grupo, só eles optaram por tirar fotos com os animais.

O secretário de turismo de Extremoz, Francisco Soares Júnior, defende a importância do passeio para o turismo do estado. “No início, foi muito difícil conseguir legalizar essa atividade. Além disso, é um diferencial importante, pois o passeio é exclusivo no país”.

Ao longo de 20 anos, o passeio teve questionamentos quanto a utilização de animais. Em 2013, chegou a ser alvo de uma campanha na internet que reuniu mais de 50 mil assinaturas contra o uso dos dromedários. Mas o passeio é legalizado pelos órgãos ambientais e os animais são acompanhados por equipe veterinária.

Os primeiros dromedários foram comprados na Espanha. Hoje, todos os animais da Dromedunas nasceram no RN. O mais recente integrante do grupo nasceu em setembro deste ano.

Pelo planejamento, o animal só começa a ser treinado com quatro anos e inicia passeios após um ano de treinamento. Ao todo, a empresa possui hoje 13 animais, incluindo os dois vendidos recentemente e o que acabou de nascer.

A reportagem esteve no local há uma semana. Sobre a duna principal da praia, onde fica a tenda do passeio de dromedário, pelo menos 20 pequenas barracas formam uma improvisada feira turística. No local não há qualquer estrutura para receber turistas, como banheiros ou ponto de informações. Também não tem equipes de fiscalização ou seguranças.

A duna de Genipabu é uma área de proteção ambiental e foi o primeiro cartão postal do estado no início do desenvolvimento do turismo. Ficou nacionalmente conhecida em 1989, quando foi escolhida como cenário para a famosa novela Tieta, da Rede Globo.

Mas nas últimas três décadas, a falta de investimentos na área não criou estrutura para receber os turistas, e a praia é apenas passagem rápida para esse fluxo. “O cenário aqui é deslumbrante. Acho que nem precisa mesmo da interferência do homem”, repetiam as turistas paulistas Magda Yamamoto e Mônica Antar Gamba.

O secretário diz que não há fiscalização na área em relação ao comércio ambulante, mas anuncia que ainda em dezembro deste ano a prefeitura vai passar a cobrar R$ 5 de todos os turistas que visitarem as dunas. A área será cercada e terá acesso controlado por fiscais.

A ideia é que essa taxa gere uma arrecadação anual de R$ 1,2 milhão. Os recursos serão usados para estruturar a praia e implantar uma fiscalização. A nova taxa será cobrada nos passeios de bugues e repassadas pela associação de bugueiros ao município.