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Governo ofereceu R$ 3 bilhões para eleger favoritos no Congresso, diz jornal


O governo de Jair Bolsonaro ofereceu R$ 3 bilhões para 250 deputados e 35 senadores aplicarem em obras em seus estados. Informações publicadas pelo jornal O Estado de S.Paulo nesta quinta-feira (28) indicam que o dinheiro saiu do Ministério do Desenvolvimento Regional, com negociações feitas no gabinete do ministro Luiz Eduardo Ramos.

De acordo com a publicação, a Secretaria de Governo, da qual o ministro é chefe, virou uma espécie de QG das candidaturas de Arthur Lira (PP-AL) à presidência da Câmara dos Deputados e de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) ao Senado. Dos 208 deputados que já declararam apoio a Lira, segundo levantamento feito pelo jornal, 125 constam na planilha interna de controle de verbas com nome de parlamentares contemplados com recursos extras. Relatos de parlamentares indicam que o governo também tem oferecido cargos em troca de voto.

A planilha é informal, sem timbre, mas inclui repasses de recursos do orçamento da União que não são rastreáveis por mecanismos públicos – os chamados recursos extraorçamentários. Os valores são repassados a prefeitos indicados por deputados ou senadores, sem que o nome do parlamentar fique carimbado.

Deputados ouvidos pelo Estadão relataram que o grupo político de Lira tem orientado os parlamentares a se dirigirem pessoalmente ao gabinete do general Ramos, onde, em reunião a portas fechadas, o ministro questiona se estão dispostos a declarar voto em Lira. O apoio é em troca do empenho de dinheiro do orçamento em obras no seu reduto eleitoral. Confirmado o interesse, o nome do deputado é incluído na planilha de monitoramento dos repasses dos recursos.

Entre os nomes citados estão dissidentes de partidos que declararam apoio ao rival de Lira, deputado Baleia Rossi (MDB-SP), como membros da bancada baiana no DEM. Segundo o Estadão, Leur Lomanto, Arthur Maia e Paulo Azi aparecem como beneficiário de R$ 12 milhões, R$ 7,5 milhões e R$ 6,5 milhões, respectivamente.

Em resposta, Arthur Maia disse que o envio de recursos do orçamento aos Estados foi tratado com deputados, mas negou que a conversa tenha relação com a eleição na Câmara. Segundo ele, os recursos relacionados a ele estão abaixo do que conseguiu de outras fontes.

“Está errado, é muito mais do que isso ao longo de 2020. Porque você sabe: tem as emendas parlamentares, mas depois tem algumas liberações. Agora, não tem nada a ver com a candidatura de Arthur Lira. Me perdoe você está me humilhando dizendo que só consegui R$ 7,5 milhões para a Bahia”, afirmou.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Lira disse que a “campanha” não irá rebater o que chamou de “invenção sem cabimento” que tem o único propósito de baixar o nível na reta final da campanha. Os demais parlamentares ainda não se manifestaram sobre o assunto.

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