HOSPITAL WALFREDO GURGEL PASSA A TER PORTA REGULADA NO RN; ENTENDA



Isso significa que a unidade irá receber os pacientes que forem cadastrados anteriormente em uma central de regulação, que vai distribuí-los de acordo com a gravidade e prioridade de atendimento.

A unidade é voltada para pacientes clínicos graves e pessoas politraumatizadas, além de vítimas de arma de fogo e arma branca.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a medida visa permitir que a unidade de urgência receba o seu perfil de atendimentos.

A primeira etapa envolve a Região Metropolitana de Natal, que engloba 70% dos atendimentos do hospital.

Segundo a Sesap, a região gera um grande número de atendimentos de casos de menor gravidade e sem regulação, que representam cerca de 50% dos pacientes recebidos na unidade, enviados pelas Unidades de Pronto-Atendimento e Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Ainda segundo a Sesap, essa demanda provoca as superlotações do hospital, sobrecarrega os trabalhadores da unidade e inviabiliza qualquer planejamento estratégico.

Com isso, os pacientes devem procurar inicialmente os serviços de porta de entrada do sistema, como as unidades básicas de saúde e as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs).

A situação preocupa o Conselho dos Secretários Municipais de Saúde.

Segundo a presidente do conselho, Maria Eliza Soares, embora os secretários reconheçam a necessidade de regulação, consideram que falta estrutura nos hospitais regionais e na rede como um todo para suprir o atendimento aos pacientes.

“A pergunta é: para onde essas pessoas vão? As outras unidades estão organizadas? Não basta fazer um desenho se não houver nas outras unidades uma verdadeira condição de atendê-las.

A gente resolve parte do problema, mas cria outro grande problema”, afirmou.

Homem morre após gravar vídeo denunciando falta de atendimento em hospital público do RN; governo determina investigação Maior hospital público do RN tem corredores lotados de pacientes à espera de cirurgias ortopédicas A secretária-adjunta de Saúde Pública, Lyane Ramalho, argumentou que o processo vai começar pela região metropolitana justamente porque é a região que já está mais preparada para essa mudança.

“É uma preocupação que os municípios têm e não deixa de ser legítima, porque essa regulação vem sendo tentada há alguns anos.

Mas as portas das unidades dos regionais e dos municípios vem sendo qualificadas desde o início da gestão e da pandemia.

Gradativamente, com a preparação dos municípios, vamos ampliar essa regulação”, afirmou.

A diretora da unidade, Fátima Pereira, afirmou que o hospital não vai deixar de atender pessoas que chegarem à unidade em busca de atendimento, mas o paciente será avaliado e, se a equipe médica considerar que ele não se encaixa no perfil de atendimento, será encaminhado a outra unidade.

Decisão judicial O governo ainda afirmou que a regulação da unidade atende uma decisão judicial que teria mais de 20 anos.

“Essa regulação faz parte de uma política pública que este governo está enfrentando o desafio de colocar em prática, vem de uma decisão judicial que remonta o início dos anos 90 e agora vamos conseguir, com essas parcerias, colocar em funcionamento.

Não temos como regular a porta do Walfredo Gurgel se não amadurecermos as portas de acesso nos municípios”, disse a secretária-adjunta de Saúde Pública, Lyane Ramalho.

Como vai funcionar A Central de Acesso às Portas Hospitalares ficará responsável por receber os contatos dos municípios, que ao invés de enviarem espontaneamente as ambulâncias para o hospital, devem primeiro comunicar os casos e seguir as orientações dadas de acordo com o estado de saúde do paciente.

Segundo a Sesap, estão sendo feitas reuniões com os municípios e um trabalho de educação permanente com os profissionais envolvidos no processo de regulação.

Ainda segundo a pasta, a regulação a partir desta quarta (15) foi acertada em conjunto com o Ministério Público, através da Promotoria de Saúde.

“Nossa atuação tem um viés que estamos olhando para o paciente grave, pois a baixa e média complexidade tem outras portas.

A defesa é que o paciente grave tenha atendimento com eficiência sem ter que concorrer com pacientes de baixa complexidade”, disse a promotora da Saúde, Iara Pinheiro A presidente do Conselho Estadual de Saúde (CES), Aldenísia Albuquerque, ressaltou a importância da regionalização da Saúde para ajudar nesse processo.

“Esperamos a estruturação dos hospitais regionais para que possam atender as pessoas onde elas moram e iniciar um processo pedagógico com usuários e governantes, para que entendam que colocar pacientes numa ambulância e mandar para o Walfredo Gurgel não é estar a favor da rede de saúde”, completou.

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