Meta de vacinação no Nordeste não será cumprida sem Sputnik, diz presidente de consórcio


O governador do Piauí, Wellington Dias, que também é presidente do Consórcio Nordeste, afirmou que a suspensão da compra da vacina Sputnik V afetará o cronograma de imunização das pessoas acima de 18 anos em todos os estados da região. A informação é da coluna de Guilherme Amado, do portal Metrópoles.

Os governadores esperavam a chegada de 47 milhões de doses do fármaco russo para vacinar 60% da população adulta com a primeira dose até outubro. Com a suspensão da compra anunciada na quinta-feira (5), Dias afirmou que a porcentagem máxima que poderá ser alcançada é de 50% de imunizados. Os índices de pessoas vacinadas com a segunda dose ou com uma dose única continuarão baixos, segundo ele.

“Estudávamos diminuir o intervalo das doses e não foi possível porque falta vacina. Com a variante Delta no exterior, a Jansen passou a entregar quantidades menores. Estamos em contato com a Pfizer para que eles também não atrasem. A Fiocruz tinha a previsão de concluir a análise de qualidade da produção do IFA em território nacional em julho, mas já estamos em agosto e os trâmites ainda não foram concluídos”, afirmou o governador.

O Consórcio Nordeste havia viabilizado a compra de 37 milhões de doses da Sputnik V, enquanto o Ministério da Saúde firmou contrato para trazer 10 milhões de doses do fármaco. “As entregas ocorreriam entre junho e agosto. É uma série de fatores que nos impede de chegar ao nível de imunização que planejamos não só no Nordeste, mas no Brasil inteiro.”

Uma cerimônia para receber as vacinas no Recife estava marcada para esta sexta-feira (6), mas o ato foi cancelado após o Instituto Gamaleya, desenvolvedor da Sputnik V não cumprir as condições impostas pela Anvisa. Para Dias, a agência sanitária age com excesso de burocracia em relação ao fármaco.

“É estranho, inacreditável, para dizer uma palavra bonita. Será que o povo da Argentina, da Hungria e do México é tão irresponsável assim por usar a Sputnik V? Esse era um esforço que vínhamos fazendo para impedir que o Brasil entrasse em risco de isolamento novamente. Agora, vamos parar de fazer um calendário para entregas, porque tudo isso causa desgaste para a imagem do desenvolvedor”, afirmou Dias