Secretário do governo Fátima escancara “crise sem precedentes” na saúde do RN


O secretário de Saúde do RN, Cipriano Maia, evidenciou o que ele chamou de “crise sem precedentes” na saúde do Estado. O auxiliar da governadora Fátima elencou dívidas milionárias da gestão estadual e atribuiu vários problemas da saúde a um subfinanciamento do SUS, jogando parte da culpa no colo do Governo Federal.

Confira abaixo alguns dos problemas relatados pelo titular da pasta em entrevista concedida nesta terça-feira (09) à 98 FM.

Superlotação do Walfredo e tabela SUS

Segundo Cipriano Maia, o Walfredo tem atualmente uma superlotação de cirurgias ortopédicas. Isso se dá, segundo ele, porque o contrato que o município de Natal tem com os prestadores de serviço privados tem diversas interrupções por falta de pagamento, seja da prefeitura, seja do Estado. “Aqui eu não estou me isentando”, diz o secretário na entrevista.

Ele explica que sobre um procedimento cirúrgico que custa R$ 1 mil, por exemplo, o Estado e o Município têm que suplementar R$ 1.440 de uma tabela SUS que não é corrigida há anos.

“Isso está trazendo uma situação insustentável para manter o SUS, com orçamentos municipais e estaduais congelados, com crise fiscal, com a inflação médica sem precedentes e é cobrado dos municípios e dos estados e a União fica distante, não aparece, onde está a causa básica da nossa maior crise. Hoje nós vivemos uma crise de pagamentos, tanto o Estado quanto o Município têm atrasos”, confessa Cipriano.

A Secretaria Estadual de Saúde, segundo o titular da pasta, não tem como suportar as despesas atuais, além do “orçamento covid”, mais a complementação da tabela do SUS.

“É uma crise sem precedentes. Ou a gente tem uma dimensão – e eu tenho chamado isso desde o início da gestão – de se unir todos os partidos, todos os parlamentares para reivindicar o aumento de teto e de recursos para o Estado ou a gente vai ficar reclamando constantemente de uma situação que não tem solução local, porque o Estado e o Município não geram dinheiro”, afirmou durante a entrevista nesta terça-feira (09).

Prestadores de serviços

Segundo o secretário, o Estado não tem conseguido pagar todos os prestadores de serviços mensalmente. A opção tem sido, desde o ano passado, efetuar um escalonamento para que os pagamentos sejam mantidos dentro de um prazo de 90 dias, sem “privilegiar A ou B”.

“Isso não é regra, mas é a situação orçamentária e fiscal do Estado que a gente não tem como esconder e os municípios também enfrentam situação semelhante. Então a gente tem buscado regularizar, mas com uma receita e um disponibilidade financeira insuficiente para bancar com todas essas despesas, é o que a gente está enfrentando no SUS no Estado”, revelou.

Dívida milionária com Natal e Mossoró

O Sistema Único de Saúde pactua que o Estado deve complementar o financiamento de UPAs, SAMU, atenção básica e assistência farmacêutica. Segundo o secretário, esse valor complementar não tem sido pago há anos aos municípios.

Ainda segundo ele, quando era secretário de Saúde de Natal, Cipriano acionou o Estado para que pagasse essa dívida ao município, o que até agora não foi feito. O único desses repasses que o Estado está conseguindo honrar regularmente é o de assistência farmacêutica, de acordo com ele.

A dívida do Estado com os prestadores contratados por Natal é de R$ 30 milhões e, no caso de Mosoró, de R$ 40 milhões. “Então são dívidas que não estão sendo suportadas pelo Orçamento Geral do Estado para você equacionar e isso, evidentemente, traz transtornos, não podemos deixar de reconhecer”, declarou

Fonte: Portal Grande Ponto